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 • Letras de: Alfredo Marceneiro.

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Alfredo Marceneiro - Bêbado pintor
Letra de: Henrique Rêgo
Música de: Alfredo Marceneiro
 
encostado sem brio ao balcão da taberna
de nauseabunda cor e tábua carcomida
o bêbado pintor a lápis desenhou
o retrato fiel duma mulher perdida

era noite invernosa e o vento desabrido
num louco galopar ferozmente rugia,
vergastando os pinhais, pelos campos corria,
como um triste grilheta ao degredo fugido.
num antro pestilento, infame e corrompido,
imagem de bordel, cenário de caverna,
vendia-se veneno à luz duma lanterna
à turba que se mata, ingerindo aguardente,
estava um jovem pintor, atrofiando a mente,
encostado sem brio ao balcão da taberna.


rameiras das banais, num doido desafio,
exploravam do artista a sua parca féria,
e ele na embriaguez do vinho e da miséria,
cedia às tentações daquele mulherio.
nem mesmo a própria luz nem mesmo o próprio frio,
daquele vazadouro onde se queima a vida,
faziam incutir à corja pervertida,
um sentimento bom d’amor e compaixão,
p’lo ébrio que encostava a fronte ao vil balcão,
de nauseabunda cor e tábua carcomida.


impudica mulher, perante o vil bulício
de copos tilintando e de boçais gracejos,
agarrou-se ao rapaz, cobrindo-o de beijos,
perguntando a sorrir, qual era o seu oficio,
ele a cambalear, fazendo um sacrifício,
lhe diz a profissão em que se iniciou,
ela escutando tal, pedindo-lhe alcançou
que então lhe desenhasse o rosto provocante,
e num sujo papel, o rosto da bacante
o bêbado pintor com um lápis desenhou.


retocou o perfil e por baixo escreveu,
numa legível letra o seu modesto nome,
que um ébrio esfarrapado, com o rosto cheio de fome,
com voz rascante e rouca à desgraçada leu,
esta, louca de dor, para o jovem correu,
e beijando-lhe o rosto, abraço-o de seguida...
era a mãe do pintor, e a turba comovida,
pasma ante aquele quadro, original, estranho,
enquanto o pobre artista amarfanha o desenho:
o retrato fiel duma mulher perdida.
 
 
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Olhos que não vêm, coração que não sente.


 

 

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