• Personagem: Bulhão Pato
 

Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato

Poeta contemporâneo, 2.º oficial da 1.ª repartição da direcção geral do comércio e industria, sócio da Academia Real das Ciências.

N. a 3 de Março de 1829 em Bilbau, nas províncias vascongadas, e foi criado em Deusto, pequena e risonha povoação assentada sobre o rio, a uma légua da cidade. Era filho de Francisco de Bulhão Pato, poeta e fidalgo português, e de D. Maria da Piedade Brandy.

Na sua infância estava Espanha entregue aos horrores da guerra civil, deram-se os três cercos de Bilbau, e a família Bulhão Pato depois de sofrer grandes transtornos e inclemências, decidiu abandonar a casa onde vivia, e em 1837 retirou-se para Portugal.

Os primeiros rudimentos de leitura, gramática, escrita e de língua francesa, aprendeu-os com seus pais. Depois de frequentar o colégio da rua do Quelhas, matriculou-se na Escola Politécnica em 1845.

Desde então, contando apenas 15 anos, começou a conviver com as primeiras capacidades literárias e políticas daquela época, como Alexandre Herculano, Garrett, Andrade Corvo, Latino Coelho, Mendes Leal, Rebelo da Silva, Gomes de Amorim, Zaluar, etc.; por vezes via-se na casa de Herculano, em Ajuda, na de Garrett e na de José Estêvão, onde costumavam reunir-se os homens de letras mais notáveis.

Este convívio desenvolveu-lhe ainda mais o seu estro poético, que desde criança se manifestara. Os seus versos eram tão espontâneos e tão naturais, que o consagraram verdadeiro poeta.

Publicou o seu primeiro livro em 1850, com o título de Poesias de R. A. de Bulhão Pato; em 1862 apareceu o seu segundo livro, Versos de Bulhão Pato, e em 1866 o poema Paquita. Estes livros tiveram um grande sucesso literário, Acerca da Paquita, escreveram Alexandre Herculano e Rebelo da Silva palavras muito elogiosas. Publicaram-se depois, em 1867 as Canções da Tarde; em 18 70 as Flôres agrestes; em 1871 as Paizagens, em prosa; em 1873 os Canticos e satyras; em 1881 o Mercador de Veneza; em 1879 Hamlet, traduções das tragédias de Shakespeare, de Ruy Blas de Victor Hugo, 1881 seguindo-se outras publicações: Satyras, Canções e Idyllios; o Livro do Monte, em 1896, de que a imprensa muito se ocupou. Para o teatro, parece que escreveu apenas uma comédia em 1 acto, Amor virgem n´uma peccadora, que se representou no teatro de D. Maria em 1858, sendo publicada nesse mesmo ano. O Sr. Bulhão Pato tem sido colaborador em diferentes jornais: Pamphletos, 1858; a Semana, Revista Peninsular, Revista Contemporanea, Revista Universal, etc. Duas vezes foi convidado para deputado, mas sempre se recusou. A sua biografia encontra-se na Revista Contemporanea, 1.° vol., de 1861, a pág. 539, escrita por L. A. Rebelo da Silva, e no Occidente, vol. XIV, de 1891, pág. 10 e seguintes, escrita pelo sr. conde de Valenças. No Occidente de 15 de Dezembro de 1896 e números seguintes, também se encontra um artigo do Sr. Zacarias de Aça acerca do Livro do Monte.

 
 
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