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O Castelo do Monte da Nó

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Zona: Correlhã - Ponte de Lima - Viana do Castelo
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Alcandorado sobre o delicioso vale do Lima, com as terras pingues da Facha, Vitorino das Donas, Correlhã e tantas outras a contemplá-lo cá no fundo, ergue-se o Monte da Nó.

Miradouro de rara beleza terá sido sempre e não admira que os límicos de remotas eras o tenham povoado e os Romanos até ali hajam subido também, criando uma povoação florescente, como o atestam as ruínas encontradas.
Mais tarde, vieram os Árabes e foi sob o seu domínio que o Monte da Nó atingiu o máximo esplendor. Ergueram estes um castelo sumptuoso onde, no meio da maior munificência, reinava Abakir - por seu valor na luta conhecido por Feroz.
Coxins de oiro e escabelos forrados a damasco enchiam os aposentos onde tapetes persas e sedas das mais variadas cores se multiplicavam.

Rico e poderoso era Abakir e exigente se mostrava no partilhar de todos os prazeres mundanos. Com os grandes potentados da sua estirpe, dos melhores centros de elegância mandara vir mulheres e com elas repartia os ócios que as batalhas e a montaria lhe deixavam livres.

A todas tratava com deferência e delas recebia afagos e carinhos. Mas não deixou de reconhecer que uma - de nome Zuleima - embora ter, não revelava em sua presença aquele frémito de alvoroço e alegria comum às restantes. Tal facto o desgostava e feria no seu orgulho.

Por isso, embora veladamente, passou a deter nela o olhar e a travar diálogos, no sentido de averiguar o que lhe vai na alma. Reconheceu ser causa de tudo aquilo a sede de amor que a inundava. E descobriu nela a mais inteligente e digna de todas quantas ali juntara.

Por ela se apaixonou e às restantes acabou por despedir. Todo ele se deu a um enleio absorvente, acabando por esquecer prazeres da caça, convívio com guerreiros e cuidados de defesa. Fugiram-lhe amigos e conselheiro, despeitados, e os homens de armas partiram em busca de alcaides a quem desse gosto servir.

Abakir e Zuleima sorriam felizes, sem se darem conta de caminhavam para o abismo. Até que um dia os Cristãos, na mira de conquista e talvez alertados pelas deserções, vieram pôr cerco ao castelo.

Só então Abakir teve a noção da magnitude do erro cometido.
Sem outro recurso ao seu alcance, tomou Zuleima pela mão, com ela desceu à mais rica das salas e, depois de pronunciadas umas palavras de estranho teor, fez com que o castelo desaparecesse, sumindo-se no interior da terra.

E ali ficaram Abakir e Zuleima, no meio de tantas riquezas, a gozar as doçuras do amor ardente que os unia e por tantos séculos tem continuado a vigorar - porque ninguém pôde ainda desencantá-lo nem apossar-se de tesouros de tanta valia.

 
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