• Biografia de: Tony de Matos
 

Tony de Matos

Aquele que viria a ser uma das mais carismáticas figuras da noite lisboeta nasceu filho do Porto, em 1924. António Maria de Matos, Tony de Matos para a posteridade.

Filho de artistas da companhia teatral itinerante de Rafael de Oliveira, desde cedo começou a lidar com os palcos. A oposição paterna vai contrariar, contudo, o gosto que o jovem tem pelas cantigas. "Cantar só se fosse na rua, porque meu pai não queria, de modo algum, que eu seguisse a carreira de artista", dirá mais tarde.

O seu primeiro trabalho no mundo artístico não será mais que o desempenho das funções de ponto na referida companhia. Mas o desejo de cantar leva-o a Lisboa onde, a pretexto de um trabalho burocrático, se inicia no mundo das cantigas, passando no exame da Emissora Nacional.

Mas logo regressa ao convívio de seus pais e, uma noite, numa verbena, decide-se a cantar o fado. Causa espanto. Levado ao Café Luso, encantará tudo e todos e ficará a actuar, logo ali, dez noites por mês, com um salário de 50 escudos por noite. Tem 24 anos. Permanecerá dois anos no Luso, que só abandonará pelos espectáculos publicitários APA e o Comboio das Seis e Meia, de
José Castelo e Igrejas Caeiro.

Ganhando crescente popularidade graças a estes programas e aos Serões da Emissora Nacional, Tony de Matos estreia-se em 1952 no teatro de revista, primeiro em Cantigas Ó Rosa e, depois, em Saias Curtas. No ano seguinte será a vez do Brasil, primeira estada que durará seis meses.

Após uma visita a Portugal, marcada por digressões diversas que incluíram África e a ĺndia Portuguesa, o cantor regressa ao Brasil, onde ficará por longos seis anos, actuando na rádio, na televisão, e sendo proprietário de "O Fado", pelo qual passaram, como espectadores, alguns dos nomes maiores do panorama artístico e literário do Rio de Janeiro.

Mas 1963 marca a segunda e mais marcante fase da sua carreira, com o regresso a Portugal, cantando já fora do âmbito restrito do fado, alargando o seu repertório para a canção romântica. E é neste estilo que Tony de Matos vai encontrar o seu lugar único, a ponto de ser considerado o cantor romântico por excelência, o intérprete de charme que viria a ser admirado e por gerações sucessivas, incluindo alguns sectores da crítica dos anos oitenta, que o consideram percursor de algumas das linhas de força da música ligeira moderna.
O regresso do "cantor da voz romântica", designação inventada por Natália Correia, deve-se, em grande parte, ao sucesso de Só Nós Dois e Lado a Lado, canções que vão explodir nas rádios portuguesas. Liquida os negócios no Brasil e nunca mais voltará. Ficou célebre o seu espectáculo num Pavilhão dos Desportos completamente cheio, em 1964. Estreia-se no cinema em A Canção da Saudade (1964) de Henrique Campos, sendo ainda protagonista em Rapazes de Táxis (1965) de Constantino Esteves, O Destino Marca a Hora de Henrique Campos e Derrapagem (1972).

Após o 25 de Abril, conotado com o nacional-cançonetismo, prossegue a sua profissão junto das comunidades de emigrantes no estrangeiro. A sua carreira conhecerá um novo renascimento a partir de 1985, ano em que Vitorino Salomé o convida para cantar a seu lado no Coliseu. De novo os discos e um espectáculo próprio no Coliseu vão coroar a vida do grande intérprete, do "cantor de charme", como gostava de se intitular.

PRINCIPAIS ÊXITOS:

Coitado do Zé Maria, Quarto Alugado, De Bar em Bar, A Tal, Quando Cai uma Mulher, Poema do Fim, Só Nós Dois é que Sabemos, Hás-de Pagar, Tu Sabes Lá, Vendaval, Vou Trocar de Coração, Maria do Céu.

Marcos principais da carreira:

1948 Primeiras actuações no Café Luso, uma das "catedrais do fado".
1950 Primeiros três discos, gravados em Madrid.
1952 Vedeta da revista Cantigas, Ó Rosa, no Parque Mayer
1953 Viagem ao Brasil, onde actua nos melhores locais e na TV.
1954 Artista convidado no Comboio das Seis e Meia, na rádio.
1957 Estabelece-se no Rio de Janeiro, onde se mantém 6 anos à frente da casa O Fado.
1962 Grava o disco que lhe dá um enorme êxito em Portugal. Regressa ao País.
1964 Concerto no Pavilhão dos Desportos, que se enche para o ouvir. Participa no filme A Canção da Saudade.
1965 Filma Rapazes de Táxis.
1966 Concorre ao Festival RTP da Canção. Fica em último lugar.
1972 É actor e produtor do filme Derrapagem, um grande êxito em Angola e Moçambique.
1974 Digressão nos Estados Unidos.
1975 Fixa residência nos Estados Unidos onde viveu 8 anos.
1985 Regressa à ribalta, com um concerto no Coliseu, a convite de Vitorino. Grava o álbum Romântico. Novo grande concerto no Coliseu, em nome próprio.
1988 Grava o álbum Cantor Latino.
1989 Falece em Lisboa.

 
 
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